há alguns meses — ou mês? ou semanas? não sei, perdi a noção do tempo — eu estava falando mal do godard na internet com base em, sei lá, três filmes dele. nesse falatório, de alguma maneira, eu subestimei la chinoise, mesmo sem ter assistido ainda. na minha cabeça, seria um filme horrível, já que eu não tinha assistido um mísero filme do godard que me agradasse verdadeiramente. até aquele momento, o único que eu não tinha odiado era à bout de souffle — que eu fui descobrir, quase um ano depois, que tinha dedo do Truffaut também, lenda.
enfim, eu estava falando mal de um filme que eu nunca tinha visto, afinal quem nunca julgou um filme pelo seu diretor maluco? eu ficava “nossa, godard, mas você é comunista, por que faz filmes tão ruins!!!!”… então, em um momento de loucura, após dizer que não daria chances pro godard de novo, eu resolvi assistir la chinoise. para esclarecer, vamos à sinopse do gugu: Quatro jovens passam suas férias de verão em um apartamento emprestado. Eles querem mudar o mundo por meio do comunismo, mas também utilizando do terrorismo se necessário. Tematicamente, A Chinesa aborda o interesse político da Nova Esquerda dos anos 60 em torno de eventos históricos e contemporâneos tais como o legado da Revolução Russa de 1917 operada por Lenin, a intervenção militar dos Estados Unidos no sudeste da Ásia, e especialmente a Revolução Cultural Chinesa operada pela Guarda Vermelha sob o comando de Mao Zedong. O filme também discute a ascenção do anti-humanismo pós-estruturalista na intelectualidade francesa em meados dos anos 60.

obviamente, eu amei o filme, senão não estaria escrevendo isso aqui para mostrar como eu posso ser boba e julgar o que eu não conheço, pagando minha língua e pensando O Que Faço Agora Que Gostei De Um Filme De Jean-Luc Godard. eu realmente achei que iria odiar la chinoise, da mesma maneira que odiei masculin feminin, e que o filme só iria servir para ver o jean-pierre léaud lendo textos marxistas e sendo muito bonito. mas não foi!!!! la chinoise foi, de fato, sem mentiras nem fabricações, BOM!!!!!! sim, metade do filme são adolescentes lendo textos mas É TÃO BOM!!! odiar os estados unidos é tão bom. os jovenzinhos franceses desprezam até a união soviética, já que a revolução cultural chinesa estava torando e escancarando o reformismo soviético. se eles tem moral pra desprezar alguém eu já não sei, mas o texto desse filme é tãoooo bom, aff.

o melhor pra mim é que o godard disse “olha, jovenzinhos marxistas da Sorbonne, precisamos fazer mais, vocês são os filhotinhos de marx, mas também da coca-cola neah”. então… menos de um ano depois: MAIO DE 68!!! eu acho engraçada aquela review do letterboxd que sugere que o godard ficou pianinho depois disso, mas o cara deve ter ficado emocionado & eufórico, visto que foi aí que ele cagou na cabeça de cannes e ainda deu um pé na bunda do Truffaut (que também era meio doido). confesso que depois de ler algumas matérias sobre a briga deles eu fiquei triste demais, porque eu realmente amo e me divirto muito com os filmes do Truffaut, mas ele foi tão conformado nessa situação que eu fiquei… sem palavras, apenas tristezas. bom, fica o recado para não confiar em cineastas.
depois disso, percebi que nunca é tarde para descobrir que você gosta de algo que você jurava que iria odiar, e é até bom às vezes. só me sinto boba porque falei mal do homem na mesma semana que fiquei obcecada por esse filme. ele ainda é doido, por outras razões, mas né. agora quero ver made in usa para falar mal daquele antro neoimperialista. não sei onde quero chegar com isso, apenas escrevi pois minha amiga gabriela tem um blog e eu acho divertido, porém agora estou achando que eu não sei usar vírgula.

observação: nada disso teria acontecido se eu não estivesse obcecada pelo jean-pierre léaud e assistindo até os filmes do godard com ele, obrigada jean-pierre, você é tudo de bom.
observação 2: este filme é tão vermelho, por razões óbvias, LINDO!!!

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